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terça-feira, 5 de maio de 2015

Restaurante- O Talho

Monstro das Bolachas
Espaço

Abril, o mês em que o agregado familiar de 3 pessoas faz anos, e que melhor forma para resolver o problema das prendas do que levar 3 carnívoros fervorosos a um restaurante que para além de se chamar O Talho, tem mesmo um lá dentro?! A loucura instalada, o receio de sair de um restaurante "caro" de barriga cheia de desgostos e a carteira vazia de dinheiro, MAS tal como eu já sabia (visto ter lá trabalhado um dia), isto não se iria verificar...


O 1º restaurante do Chef Kiko Martins, co-autor do livro Comer o Mundo, que deviam de ler(!). é inteiramente dedicado á carne, imaginem uma igreja com uma fé para a raça carnívora, é isso! Tal como referi antes, o espaço contém também um talho, no qual se pode ver o pessoal a trabalhar e a fazer preparados que se podem comprar e levar para casa, ou serem entregues na mesma pelo restaurante. Até existem vitrines para demonstrar a carne, no fundo as verdadeiras jóias do espaço.
De tons acastanhados, temos uma sala ampla, intimista e acolhedora, luzes de baixa intensidade, com mesas e cadeiras em madeira grossa e polida, que se enquadram de modo excelente no conceito. A equipa de sala é irrepreensível, extremamente simpáticos e informados, profissionais mas descontraídos, fazem-nos sentir em casa e bem recebidos.
Talho

Começámos com um couvert bem recheado e saboroso, 4 tipos de pão, 2 tipos de queijo em creme, Ricotta e Parmesão, e uma manteiga com Satay, especiaria oriental. Tudo saboroso e diferente do habitual. A carta tem uma boa variedade de influências que vão de Marrocos ao Brasil, de Israel á França, mas o que une todos estes sabores, é a importância dada ao ingrediente principal, a carne! O modo como estas influências são integradas no prato em si, estão perfeitamente equilibradas e em sintonia umas com as outras, tendo uma cozinha de fusão de alto nível, pois o dificil é encontrar a conjugação perfeita de tantos factores,e aqui fazem-no de modo excelente!
Croquetes de Cozido 4,90€

Começámos com  2 amuse bouche que mudam semanalmente e seguimos para os famosos Croquetes de Cozido com manteiga de chouriço (4,90€) e para a Salsicha Merguez com Falafel, Baba Ganoush e espuma de Leitelho (8,90€) ou Buttermilk se preferirem. A fama dos croquetes é bem merecida, de recheio generoso, traziam consigo o sabor das carnes do tradicional cozido á portuguesa, bem crocantes por fora, húmidos e suaves por dentro, o complemento ideal era então a manteiga, servida numa pequena bisnaga que tinha um sabor divinal, e a couve lombarda quase crua que acompanhava os croquetes que por incrível que pareça a alguns, o conjunto de todos os sabores e texturas estão literalmente, perfeitos!
Salsichas Merguez,Espuma de Leitelho 8,90€.

 A Merguez estava muitíssimo bem servida,3 salsichas grandes complementadas por uma generosa dose de guarnições! A Merguez tinha uma mistura agradável de especiarias e uma boa textura, visto que o exterior da mesma era tripa , contudo demasiado picante escondia todos os outros sabores que tinha, estragando um pouco a experiência. A espuma de Leitelho era suave, leve e fresca, acompanhamento ideal para tanto picante, 3 Falafel bastante saborosos e o Baba Ganoush meio ácido completavam este prato do Médio Oriente, que apesar de saboroso não se adequa a todos os gostos!
Borrego tandoori 18,80€.

Para principais, Borrego Tandoori- Carré, Chutney, Iogurte e Lentilhas (18,80€), Bochechas de Vitela com Couscous de frutos secos e legumes á Grega (18,60€) e Picanha da Argentina, Farofa e Salada (21,40€). O Borrego foi para mim o melhor dos pratos, o carré era polvilhado com especiarias, panado em Panko e frito que davam o contraste com a sauvidade da carne, cubos de borrego eram também confitados em vácuo ficando com uma textura macia a desfazer na boca, tudo isto acompanhado de um Chutney de Tomate guloso e equílibrado, Iogurte Natural cuja acidez balançavam o doce, um pãozinho tipo pita barrado com manteiga de alho para rechearmos como quiséssemos e uma delicosa e bem temperada salada de Lentilhas  á parte e servida fria.

Bochecha de Vitela 18,60€.

A Bochecha de Vitela ,estava deliciosa, com uma textura firme por fora mas suave e delicada por dentro, também ela a desfazer na boca, o Couscous apesar de bom, não trazia muitos frutos secos, apenas algum do seu sabor se destacava, os Legumes á Grega estavam saborosos e no ponto, frescos no seu contraste com a densidade e sabor forte da bochecha. No prato vinha também um delicioso Puré de Salsa que se fazia notar de vez em quando, só pecando por não ser suficiente :)!
Picanha da Argentina 21,40€.
A Picanha da Argentina , era talvez o prato com menos influências, era a carne ligeiramente selada para a tostar, servida com batata frita caseira, uma salada temperada na perfeição com cubos de pão tostado e um Panko crocante para dar um paladar e textura diferente ao prato. A carne contudo, disseram os 2 carnívoros devotos, estava e passo a citar " Divinal, que maravilha, isto está mesmo bom pá!" 
Como disse no início, a atenção e cuidado nos pratos é transversal a todos eles, óbviamente que há  sempre coisas que falham esporadicamente, mas no geral é de louvar tamanha qualidade e quantidade pois todos os pratos eram muito bem servidos!
A minha prenda em forma de diabetes, rico filho/namorado...

 Como era uma celebração eu levei uma tarte de chocolate, o que criou um problema, EU, não como chocolate, que chato, pedir uma sobremesa Flan Dulce de Leche Argentino, Gelado de Manteiga de amendoim e seu Crumble (6,30€), para acompanhar os meus companheiros carnívoros e a minha chocodependente, sim existe...
O Flan estava delicioso, o gelado era muito leve, nada denso, os Flan, pastosos e esses sim, densos e gulosos, o Crumble e o Dulche de Leche na ardósia completavam o conjunto de sabores e o que penso ser um puré de banana assada, apenas pecava numa coisa, era muito monocromático , fora isso, tudo bem!
Flan Dulche de Leche 6,30€.

No geral, um excelente espaço, cheio de pessoas simpáticas, jovens e conheçedoras, com uma carta variada dentro do género da carne, preços que apesar de ligeiramente elevados, reflectem-se na qualidade do que é servido. Definitivamente um espaço merecedor da distinção que tem e ao qual vale a pena ir, voltar e aconselhar! Venham conheçer  melhor  O Talho de Lisboa e fiquem convertidos!

domingo, 11 de maio de 2014

Restaurante-"Costume Bistrô"

Monstro das Bolachas

Quase terminada a nossa temporada no Porto, acabamos em alta depois de EU dar conta deste restaurante, sim porque às vezes andar sempre à procura de menus e restaurantes nas ruas dá um bom resultado, às vezes...

Exterior
O Costume Bistrô é um restaurante algo escondido, mas que vale a pena procurar e entrar! Localizado no segundo andar de um prédio antigo, a sala de refeições é um espaço amplo, bem ornamentado e com uma imponência elegante, com paredes altas e arcadas a dar o mote à decoração e iluminação, bastante romântica devo dizer. A carta é bastante variada e apelativa havendo elementos mais exóticos como o foye gras, até aos tradicionais como a alheira, com os preços a não serem elevados, especialmente quando os pratos chegam e se apercebem do que vão pagar, é mais que justo. O serviço foi sempre atencioso e cuidado, tirando uma (literal) guerra entre a empregada e o pessoal de cozinha que se ouviu na sala inteira, não obstante,  foi bastante profissional e educado.
 
Sala
Eu, estando no Norte, escolhi o fondant de alheira, ovo e mesclum de salada 5.50€, o que, comparado ao folhado de queijo de cabra do Clérigos estava muitíssimo mais bem valorizado que o último a nível de quantidade, qualidade, inovação e preço. O fondant era então massa filó recheada com um aparelho de alheira muito bem apaladado, de sabor distinto mas equilibrado, de certo tradicional, como a Manguinhas pode confirmar! 

Fondant de Alheira
  A gema de ovo estava confitada e seguia-se assim a tradicional combinação da alheira e ovo, e que aqui resultava muito bem com as texturas todas a complementarem-se, sendo assim uma entrada equilibrada, de consistência cremosa. Toda esta suavidade e sabores vincados eram por isso bem rebatidos pela salada leve, fresca e bem temperada com um vinagrete bem saboroso.
Crumble de Pato

De principal pedimos ambos crumble de pato com arroz selvagem a 15.50€. Pouco tempo depois chegou o prato, e vimos então literalmente a torre que se apresentou à nossa frente. Era então perna de pato confitada, desfiada e prensada num molde redondo, coberta depois por curmble de broa de milho e ervas, servido com mesclum de salada, molho de laranja e arroz selvagem. O único problema aqui foi o facto de os pratos estarem quase frios, o meu chegou mesmo a ir para trás. Tirando isso, não podíamos ter escolhido melhor. Era divinal, o pato suave e cremoso, de sabor apurado, o crumble a dar uma textura crocante e um sabor fresco. O molho de laranja estava muito bem executado e uma escolha clássica para esta carne. O arroz selvagem estava solto, al dente e saboroso, bem como a salada que mais uma vez se revelava fresca e bem temperada. Quantidade mais do que suficiente, saboroso e perfeitamente executado, sem dúvida, a repetir, o que é difícil visto que os outros pratos também são bastante tentadores.

Strudel de Banana e Creme de Canela
Sobremesas, strudel de banana, creme de canela e gelado de café para mim (5.50€) e o que viria a ser uma das melhores sobremesas de sempre da Manguinhas e a melhor deste ano até agora, o  fondant de caramelo e gelado de framboesa (5.50€)! Se a refeição foi boa, só ficou melhor, o meu strudel estava delicioso, servido quente, o recheio trazia a banana, passas e frutos secos, com o creme de canela sedoso, e o gelado bem intenso em sabor, cortando o adocicado do resto do prato, estava assim presente a noção de texturas e temperaturas que chocam e que se complementam ao mesmo tempo, uma aposta ganha!
A Oitava Maravilha Gastronómica da Manguinhas.
Melhor só o fondant de caramelo que me fez repetir colheradas, algo que nunca acontece! Nunca! Era ver a Manguinhas feliz da sua vida ao descobrir que afinal caramelo e fondant era uma combinação quase tão boa ou melhor do que chocolate. O sabor era suave mas proeminente, sedoso como deve de ser, o seu gosto perdurava na boca e cada colherada demorava-se a saborear. Perfeitamente executado, firme por fora e líquido por dentro, esta foi eleita uma das melhores sobremesas do Porto, disse-nos a empregada, e de facto confirmou-se para nós, e foi mais além até, foi uma das melhores que já comemos este ano, uma surpresa que por si só vale a visita! Já a Manguinhas tem de ter uma restrição do tribunal para se manter afastada do espaço… Mas o melhor é só agora termos reparado que na ânsia, só UMA FOTO foi tirada ao dito, fica assim o mote para irem vocês mesmo tirar as vossas conclusões ;)

No final gastou-se 53.50€ com água e couvert, um preço mais que justo, pelo serviço, espaço e qualidade. O Bistro está no bom caminho para se tornar o Costume das pessoas do Porto, pois sem dúvida iremos regressar e aconselhar!


sábado, 12 de abril de 2014

A melhor tarte do mundo!

Manguinhas

Pois que agora o Monstro anda lá para Londres, ofícios da profissão, e quando ele vem cá de férias é uma desgraça, desta vez não foi excepção. Foram jantares, almoços, doces e doces e... doces, de maneira que agora me encontro quietinha no meu cantinho a recuperar a linha, que felizmente nunca perco ;)
Bem, ele diz que tem bolacha, aroma de coco, caramelo salgado e chocolatinho Jubileu (claro está que é o meu preferido), mas para mim é simplesmente a melhor tarte de aniversário do mundo;)


quarta-feira, 12 de março de 2014

Santini... a 8ª maravilha;)


Pois é meus amigos, eis que eu, Manguinhas, ainda respiro e existo enquanto ser vivo...;) E qual é a 8ª maravilha qual é qual é?? SANTINI, para o menino e para a menina, para o Verão e para o Inverno. 

Nunca percebi bem o porquê das filas intermináveis à porta durante praticamente o ano inteiro, até que decidi: "ok vamos lá ver o que é que estes gelados têm assim de tão especial"... Então, as razões resumem-se a uma palavrinha, "sabor", gelados artesanais de qualidade, com sabores invulgares, originais e muito bem conseguidos. Alguns dos sabores vão variando semana a semana e ainda têm a possibilidade de ajudar uma instituição de solidariedade social. 

Menta e Chocolate, sendo um dos meus sabores preferidos em gelados, é garantido que terá de ser o próximo. O problema é que eu quando chego ao Santini e olho para o quadro preto onde estão os sabores dos gelados apetece-me comer quase todos e depois fico duplamente deprimida. Primeiro quando não posso provar todos e depois, quando percebo que o sabor escolhido não durou para sempre e foi-se, opá....

Ora derratam-se visualmente aqui:

http://www.santini.pt/

https://www.facebook.com/geladoSantini?fref=ts

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Restaurante- Shoryu Ramen, Londres, Soho

Monstro das Bolachas
Shoryu Ramen, Soho

Seguindo o post anterior, mantive-me pelo tema de comida japonesa que sempre vi nas Animes, desta feita fui descobrir o que torna o Ramen único, delicioso e mais impressionante, a cultura em seu redor. Sendo assim, escolhi entre vários restaurante e selecionei o Shoryu Ramen em Soho, pois existe outro em Regent Street. O que torna único o Ramen é o seu caldo e a massa, noodles. Cada caldo tem bases diferentes, textura, cor, profundidade e sabor consoante a proteína que se usa, a mais comum e apreciada é o porco, que dá pelo nome de Tonkotsu, um caldo á base dos ossos do mesmo, usado para uma panóplia impressionante de pratos, que neste restaurante é o que se serve. O Chef, é famoso pelo seu Hakata Tonkotsu, o caldo da sua cidade natal. Como aqui existe uma variedade enorme de experiências gastronómicas para experimentar, juntei a minha curiosidade á causa das dores de cabeça da Manguinhas, o comer fora, e lá fui eu com um colega de trabalho.

O espaço é agradável e acolhedor, uma decoração em castanho com grandes telas pintadas e bambus tornam-no num refúgio do ritmo vertiginoso desta cidade. A cozinha aberta deixa antever e observar os pratos e o seu processo, e mais importante que isso, sem o cheiro ou o barulho que se pode gerar num espaço assim. O único problema que tive foi quando olhei para as mesas, não havia mesas para 2 pessoas! O mínimo seria para 4, todas as outras eram corridas, com números em cada lugar, ou seja, privacidade seria mentira, este é o estilo cantina, servir rápido e dar lugar a outro o que não tem nada de mal, só não é o meu conceito.
Cozinha aberta para a Sala

O menu é vasto em todas as secções e com ofertas bastante aliciantes não se limitando aos Ramen, tendo também arroz e sushi! Sendo a base de todos os  Ramen o Tonkotsu, a variedade está no que vem servido com ele, desde o tipo de massa, a proteína ou os vegetais, a escolha foge ao normal e introduz muitos ingredientes e especiarias orientais como o citrino Yuzu ou o Nitamago, ovo cozido em soja com a gema ainda líquida, ou ainda o Kikurage uma espécie de cogumelo.

Pork Belly Hirata Bun 4 Libras
Após uma difícil escolha acerca do que pedir, optámos por 2 Hirata Buns, 1 de Pork Belly e outro de Halloumi& Shimeji 4 libras cada. Aqui o serviço começou a cair na desgraça, pois as supostas entradas chegaram com os pratos principais, e só veio 1, tive de relembrar os empregados 2 vezes que faltava o outro. No que toca á nossa escolha foi excelente, os Hirata vinham bem recheados e mesmo MUITO saborosos. O de Pork Belly (Barriga de Porco) era uma fatia bem grossa, tenra a desfazer e coberto com um molho agridoce bem balançado, servido com vegetais para balançar tudo, o pequeno pão a vapor era o acompanhamento perfeito para absorver todos os sabores e tem uma textura fantástica, resistente e meio elástico com um sabor característico.
Halloumi&Shimeji Hirata Bun 4 libras

 Mas o meu estava melhor, o Halloumi&Shimeji trazia o queijo crocante numa massa de tempura, os cogumelos salteados, alface, Sweet chilli sauce e uma espécie de maionaise que não consegui definir o que era, mas estava excelente. O contraste das texturas e a ligação dos molhos faziam desta uma entrada a não passar, sendo o pão mais uma vez o "veículo" perfeito para tal combinação de texturas e sabores!
Origin Tonkotsu 9 Libras.

Para principal, Origin Tonkotsu, o Tonkotsu original a 9 libras, e um Fire & Ice Salmon Tsukemen para mim, 12.50 libras. O 1º era o mais simples de toda a carta, constituído por rodelas de porco braseado, Spring onion/cebolinha, Nitamago, pickle de gengibre/Gari, cogumelos Kikurage e alga Nori, com os indespesáveis Noodles e Caldo Tonkotsu. O caldo tinha um sabor suave e os outros ingredientes estavam todos bem apaladados e distintos de sabor entre si com destaque para o Nitamago, ovo cozido em Soja que se revelou uma estrela por si só. O facto de se comer tudo junto com o caldo dá um novo patamar á degustação e texturas que nunca tinha encontrado antes, simples e saboroso, com destaque também para os Noodles, al dente e muito bons, e para os cogumelos Kikurage com uma textura e aspecto que faz lembrar orelha de porco, com uma resistência algo elástica, mas saborosos.
Fire&Ice Tsukemen. 12,50 libras.

O meu Fire & Ice era um dos pratos que nos faz olhar para ele, pois é servido em 2 separadamente, empratado com cuidado e em altura, com uma panóplia de cores que se destaca dos demais que vi no restaurante. Numa tigela grande cheia de gelo, vem uma esteira de bambu com o "prato" e numa tigela á parte o Wasabi-Tonkotsu quente. Era assim constituido por Salmão fumado,Nitamago, pickle de gengibre/Gari, Noodles, Kikurage, alga Nori, rebentos de bambu e rodelas porco braseado. A ideia do prato seria o contraste entre o caldo quente e com um travo a picante e os restantes ingredientes frios, e a ideia estava bem conseguida pois os 2 complementavam-se perfeitamente. O caldo Wasabi-Tonkotsu, tinha uma sabor mais forte do que o outro e bem mais picante, contudo ao comer os outros elementos frios esse efeito era atenuado e a combinação alcançada, no final, pode-se comer como se quiser, separado ou juntar o que se pretender ao caldo. O destaque, apesar de tudo estar delicioso, recai no Salmão fumado, uma tranche do lombo fumada com um sabor bastante característico que nunca encontrei, o sabor mais semelhante seria o Bonito ou um Atum fumado. Uma excelente escolha entre muitas outras que irei de certo experimentar.
O prato completo.

Desta vez não se comeu sobremesa, pois fomos comprar Pastéis Doces de Feijão vermelho a Chinatown, mas a oferta era bastante tentadora com Cheesecakes de Chá verde, Yuzu e muitas outras, mais um motivo para voltar :D.


O preço ronda as 25 libras por pessoa com 3 pratos, devido á taxa de serviço, que significa que não pagam apenas o preço do que comeram, mas também essa taxa que serve de "gorjeta", um aspecto a não esquecer! Os aspectos negativos são a falta de espaço e privacidade nos lugares, pois são todos lado a lado e o facto de o barulho se tornar demasiado se estiver muito cheio. O serviço embora simpático é atabalhoado e cheio de falhas, numa ocasião 4 empregados de mesa em intervalos de 5 segundos(eu contei) vieram pedir para levantar a tigela do meu colega que ainda não tinha terminado, o que criou um ambiente um pouco constrangedor para nós e irritante!

Fora isso, recomenda-se vivamente, mas por favor nada de sorver ruidosamente a massa especialmente com os lugares tão próximos, o mais certo é a vossa massa ir parar na tigela de alguém desconhecido, aí será outro tipo de convívio, bem mais físico e com uma vista guiada a um posto de urgência ou interrogatórios policiais :P.

Site:http://www.shoryuramen.com/
Facebook:https://www.facebook.com/ShoryuRamen

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Fast-Food Japonesa- Onigiri

Monstro das Bolachas
Onigiri de Salmão

Poucas serão as pessoas que não ouviram pelo menos uma vez nomes como Naruto, Bleach ou Dragon Ball, contudo não devem de ser muitas que têm a oportunidade de encontrar, experimentar e ser completamente apanhados de surpresa por alimentos que se vê em séries de Anime. Num passeio pela zona do Soho em Londres, entrei numa loja japonesa onde se vendia inúmeras coisas tradicionais, desde bolos a pratos completos, eu fiquei pelo Onigiri, um triângulo de arroz envolto em alga nori, com vários recheios á escolha. Eu neste caso arrisquei pelo de Salmão. E qual não foi o espanto quando vi que no pacote até trazia o método a utilizar para tirar o dito cujo de dentro do seu pacote, um conselho, SIGAM-NO, pois eu não o fiz e a coisa ia se esbandalhando toda o que seria de facto terrível pois era muito saboroso!
O recheio do Onigiri de Salmão

Fiquei extremamente espantado ao trincar o Onigiri pois estava á espera de encontrar uma Nori mole como se encontra em muitos casos, um arroz meio seco e sem tempero e um recheio de Salmão algo duvidoso. Nada disso, o resultado foi de alegria extrema ao trincar uma alga crocante como não comia á muito,  cheia de sabor! Um arroz, solto, bem temperado e fresco e um Salmão lascado, suculento e também bastante fresco. É disto que se fazem passeios e novas descobertas, conhecer e sermos levados de surpresa, por recantos, zonas ou comidas que nos surpreendem e nos fazer sorrir, ao pensar que uma simples iniciativa de explorar uma pequena rua, se pode por vezes demonstrar uma descoberta e um momento bem passado...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Restaurante- "Assinatura"

Monstro das Bolachas 

E no último dia disponivel nos Vouchers da time out de 50% de desconto na refeição eis que experimenta-mos um dos restaurantes que mais nos despertava curiosidade, e a experiência em nada saiu desgostosa.

A característica mesa invertida :)

O restaurante é algo escondido numa rua transversal a outra que liga ao Rato. Com uma sala simples, paredes brancas, cadeira castanhas e vermelhas, a decoração é minimalista, tornando o espaço leve mas algo despido, demasiado sóbrio para o meu gosto, mas bom para a minha companhia. Fomos recebidos pela equipa de sala que se mostrou com alguns olhares desconfiados quando viram 1 casal com ar de adolescentes entrar pelas portas de um sitio tão conceituado e com um público alvo bem para além da nossa idade e pensam eles, do nosso conhecer gastronómico, neste último enganam-se :D . O serviço é excelente, profissional e atencioso, embora alguns empregados sejam mais desligado e quase ríspidos nas introduções dos pratos, no geral fazem um trabalho merecedor, e menos não seria de esperar para o tipo de restaurante que é e para os preços que se pratica, sendo este um dos melhores de Lisboa, assim teria de ser. O menu é reduzido, com 4 ou 5 pratos em cada categoria, e pelo preço  de cada um deles recomendamos que peçam um menu de 5 pratos a 53€ euros, a ser feito pelo Chef, apenas têm de dizer o que não comem e esperar pelo que ai venha, algo perigoso a meu ver mas a experiência saiu-se positiva, pois a surpresa em cada prato foi melhor do que saber o que ai vinha. Antes de dizer-mos o que queriamos evitar tinha dito á Manguinhas :" Se calhar é melhor dizer-mos para evitar as Ostras e o Foye Gras não?" Ao que ela diz: " Não, acho que não é preciso, também já viste o que era vir logo isso?"  Assim começou a nova refeição...
A sala, algo diferente hoje em dia.

O Couvert começou logo por fazer as delícias da Manguinhas pão transmontano, azeite transmontano, servido por uma rapariga que se parecia notar transmontana! 2 tipos de manteiga, Noisette e de Camarão e Manteiga de Amendoim. Começou bem, a qualidade do pão e do azeite era excelente, não fossem de Trás os Montes,e as manteigas de igual sabor e qualidade, com destaque para a de Camarão e Manteiga de Amendoim cujo sabor era uma surpresa. Até quando nos servem o Couvert nos explicam o tipo de pão, de onde é, a acidez do Azeite, neste caso 0,2, e de onde vem. Bem como os tipo de manteiga presentes.
3 Amuse Bouche para começar, deliciosas!

Começámos com as 3 Amuse Bouche, Coscorão com Alheira , uma combinação que nunca me tinha passado pela cabeça mas que estava divinal, o sabor adocicado com uma pitada de canela, casava na perfeição com a alheira de sabor forte e vincado e o contraste das texturas entre o suave e o crocante faziam desta pequena delicia uma surpresa a cada dentada. Éclair com queijo de Seia mais uma vez uma combinação eficaz, embora sem deslumbrar a ideia estava bem conseguida e engraçada, a qualidade do queijo falava por si e a massa do éclair mostrava-se fofa e saborosa, sendo o par ideal para servir de veículo ao creme. Por fim Brunesa de Espadarte de Sesimbra com Maçã, de sabor leve e refrescante era uma agradável combinação para cortar a intensidade das outras 2.
1º Entrada do menu de 5 pratos

Terminados, chegou uma das entradas, e como o Universo tem um sentido de humor excelente e por vezes meio irónico, eis que nos chega OSTRAS! "Oh meu Deus, como é que é possivel?!" Pensava eu tendo a certeza que a Manguinhas não ia gostar e eu próprio não sendo grande fã! Mas mesmo assim para mim conseguiu ser salvo pelo resto dos componentes. Ostras de Setúbal ao natural, Iogurte fumado, caldo de Bacalhau fumado, Tapioca e Alga. O prato sabia literalmente a mar! As ostras por si já o sabem mas o caldo aromático e de sabor suave cortavam a salinidade das mesmas, a tapioca com a sua textura meio gelatinosa e al dente no meio davam uma textura intrigante ao prato, bem como as algas por cima. O iogurte dava uma profundidade de sabor a todo o conjunto. Esta entrada remetia-nos para o mar a cada garfada, e revelou-se uma agradável surpresa, apesar da textura que detesto das Ostras e do seu sabor salino, lá marchou tudo, sendo o ponto alto a Tapioca e o caldo que me cativaram, já a minha senhora, ficou a saber que não gosta NADA de Ostras.

"Começa-mos bem, a seguir deve vir Foye Gras para desgraçar o resto do menu já assim no inicio" pensei eu...
2ª Entrada, um prato excelente!

Não se verificou, ao invés, veio algo que ambos adoramos, Vieiras. Vieiras Coradas, Moela, Puré de Cebola, Alho frito, Coentros,Óleo de Trufa e crocante de Pão de Especiarias. Embora a combinação me soa-se estranha, ainda para mais por nunca ter comido moela, a cena toda de misturar carne e peixe nunca me fascinou, mas aqui isso mudou! No geral a harmonia de sabores com tantos ingredientes que parecem díspares é no mínimo intrigante. Tudo se complementava de maneira saborosa e interessante, e apesar de as Moelas e a Vieira, quando comidos em separado não fossem nada de especial, juntos elevam-se para um sabor diferente e bem melhor. O Puré de Cebola estava suave e nada intenso como pensava que estaria, antes aromático e um perfeito acompanhamento para o resto, os coentros davam uma frescura que elevava o prato e atribuia uma agradável "corte" nos sabores mais vincados. Tudo era ainda melhor pelo facto do Óleo de Trufa perfumar todo o prato, e se bem que ás vezes se adicione porque é gourmet, aqui integrava-se bem no todo, bem como o crocante de Pão de Especiarias que era o elemento estaladiço do prato, a par do alho frito, e também ele delicioso, pena ser pouco :D Um prato vencedor e deveras surpreendente!
Prato de Peixe, o melhor da noite.

Depois veio então o prato de peixe, e depois de um prato anterior de excelente qualidade e ainda maior surpresa, este teria de ser igualmente bom e de facto não desapontou. Massa Pevide com tinta de Choco, Queijo de S. Jorge, Alga Nori marinada, Bacalhau meia cura, Ovas de Peixe Voador e Aneto. Assim se fazia mais uma vez magia no prato. E na boca pois a cada garfada de massa com tinta de choco, ficávamos com a boca toda negra! Mais uma vez um prato excelente, a massa al dente, bem apaladada, com o Queijo de S.Jorge num equilibrio perfeito, fazia lembrar um risotto devido ao seu principio. O sabor era igualmente viciante pois a tinta de choco para além de cor adiciona sabor e aqui havia bastante! Na base do prato vinha a Nori marinada, e mesmo no sabor acentuado da massa, esta se distinguia com uma sabor distinto entre o salgado e o fumado da alga em si, deliciosa e algo que nunca tinha comido. O Bacalhau meia cura tinha o sabor esperado, bem confeccionado e saboroso, casava bem com o resto do prato, contudo, quando comido com as Ovas de Peixe Voador e o Aneto, o seu sabor elevava-se a outro nível, e o jogo de texturas alcançado neste prato era igualmente excelente. O prato da noite na nossa opinião.
Prato de carne e uma ovação ao Norte do País.

Seguiu-se o prato de carne, neste caso da Carta, Borrego em crosta de Pistachio e Cuscos Trufados. Cuscos neste caso não está mal escrito, trata-se sim de uma massa feita com farinha, água e mais algumas coisa que se vai mexendo com a mão á medida que se adiciona o líquido, resultado, pequenas formas toscas, umas maiores que outras, que têm uma forma semelhante a pequenas esferas, ou ovais. E isto é típico de Trás-os-Montes, bastante antigo, daí não ser muito conhecido, mas hoje em dia já é comercializado pela marca Origens. 
Este prato continha ainda Cogumelos selvagens, puré de Salsa, Rebentos de Ervilha e brunesa de enchidos e seu suco. Pode-se dizer que este prato era um hino ao extremo Norte do país! E não desapontou, de sabores bem fortes e robustos começando nos Cuscos! Al dente como se querem, o seu sabor era excepcional, o suco libertado pelos enchidos estava infusionado dentro da massa em si, bem como o óleo de trufa que envolvia todo o preparado! Resultado, uma guarnição deliciosa e de honrar o legado transmontano e as suas receitas e sabores! Um vencedor por si só que foi a estrela do prato! O borrego foi o que mais me desiludiu, não por ser mau, longe disso, mas por não ter a crosta de Pistachio que se anunciou e por não estar tão suave como poderia ser estando médio-bem. Os Cogumelos Selvagens esses eram outra surpresa, de sabor característico, só quem os experimenta é que conheçe o verdadeiro sabor deste ingrediente, forte, aromático e com uma resistência natural, tinham um sabor térreo e que completava o conjunto de sabores do prato, mas igualmente excelentes por si! O puré de Salsa e Rebentos de Ervilhas eram ambos bastante saborosos e conferiam uma lufada de ar fresco que se revelava crucial para cortar todos os sabores intensos! Mais uma vez, um excelente prato, que á carta custa 22€, comeu-se no menu de 53€ embora em menos quantidade de certo.
Pré Sobremesa

Felicíssimos da vida, veio a pré-sobremesa, Iogurte Natural do restaurante com compota de Marmelo. De textura suave e espessa estava bom mas não deslumbrava, era sim completado pela Compota de Marmelo que estava no topo, bastante saborosa mas a nosso ver pouca face á quantidade de iogurte. Fez o seu serviço de limpar o palato para a sobremesa.

Um café e Pastel de Nata, era o nome dela, na carta a 7€, foi apresentada neste menu. Uma desconstrução do Pastel em si, e uma brincadeira com o seu companheiro que em tantos cafés se vê e ouve, o café que por tradição o acompanha.
Sobremesa, jogo de sabores e texturas.

 Era assim composta por Pannacotta de Café, sabor forte e vincado, nada doce, consistente e suave. Espuma de Leite com café ou pelo menos era a isso que sabia, suave, leve e com consistência suficiente para não derreter no prato, mas sim na boca, que o fazia deveras bem! Gelado do Creme de Pastel de Nata, delicioso, espesso e viciante! Crumble, a fazer do crocante da massa folhada, este era bem melhor, bastante estaladiço e de sabor suave e com um toque de canela. Tudo polvilhado com Canela e fios de Caramelo no prato. Muito bem pensado, bem executado e mais importante, delicioso, todos os componentes eram bons mas nada que já não tivesse-mos visto ou comido, mas quando se juntava tudo numa colherada, se fechássemos os olhos, o sabor era exactamente o nome da sobremesa, genial, saboroso e divertido, tudo o que devia resumir uma boa refeição!

Uma experiência fantástica, pratos irrepreensíveis, serviço profissional, esclarecedor e atento, o preço pelo menu é mais do que justificado e bem empregue, a meu ver, melhor do que nos pratos pedidos á carta. O espaço seria o único senão mas os gostos não se discutem. Uma excelente refeição para acabar o ano de 2013, e esperar que se façam mais destas em 2014, haja Vouchers da Time Out e dinheiro, ou só dinheiro também me chega! :D

Facebook:https://www.facebook.com/pages/Restaurante-Assinatura/112500565453485?ref=ts&fref=ts
Site:http://www.assinatura.com.pt/index.php/pt/


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Restaurant Week- Volver By Chakall

Monstro das Bolachas
Entrada

Este, foi o melhor jantar do ano e especialmente depois de termos estado antes no Faz Figura ia com algum receio. Já queriamos ir a este restaurante á bastante tempo mas acontecia sempre alguma coisa, contudo nada como o estar em Londres para fazer tudo o que ficou por fazer antes, acontecer :D E desta feita lá reservei mesa, para mim, a Manguinhas e uma familiar minha, bastante chegada por sinal e sem estar habituada a este tipo de saidas. Estavam assim lançadas as linhas para escrever o que seria uma bela noite, banhada a chuva :D

O Volver é o antigo Quinta dos Frades, cujo conceito e nome mudaram mas o local é o mesmo, a qualidade é que não. Aposta-se agora na comida de inspiração Argentina, terra Natal de Chakall, um serviço excelente, atento, simpático e atencioso. Graciosos e atentos ao pormenor, o serviço de sala contribuio assim para uma experiência ainda melhor, derivada á simpatia e á completa descrição dos pratos. Está assim portanto, á altura do conceito e da comida do restaurante.

Vista da nossa mesa, para a oliveira e horta vertical .



Somos recebidos com simpatia e levados á nossa mesa, o espaço é acolhedor e intimista, romântico e com um sentimento de paz que inspira a calma. Sentados, escolhemos o menu, e assim começou a bela refeição, entre boa comida, serviço, memórias e vivências pessoais.


Azeite,Queijo Creme e doce de Tomate e Pimento, Hummus
Das 2 entradas escolhe-mos todos a Alheira Beirã salteada com coentros, Brôa de batata doce tostada,ovo de coderniz puré de Maçã, cebola roxa agridoce e salada. Mas antes de podermos degustar esta entrada veio o couvert, composto aqui por Hummus, uma pasta de grão, limão, alho e especiarias,queijo creme com doce de tomate e pimentos, e o normal azeite com vinagre Balsâmico. O destaque foi claro para o Shot de queijo creme e doce, suave e ligeiramente picante e intenso, os sabores eram simples mas bem executados e acima de tudo viciantes, ao ponto de eu já nem o barrar no pão, mas sim usar apenas a colher :)

Alheira Beirã e coentros, Brôa de batata doce, cebola agridoce
Chegada a entrada, o que saltava logo á vista era a quantidade! Muito bem servido, e para além disso, MUITO bom. Tudo estava bem executado, todos os sabores se complementavam mas se distinguiam entre si, harmonia muito bem alcançada e até o Vinagrete da salada era diferente do habitual, dando-lhe um travo adocicado, mostrando a atenção ao detalhe. A Alheira parecia de facto caseira e do norte como se anunciava, a Brôa de batata Doce estava deliciosa e adocicada, sendo o parceiro ideal de uma Alheira com coentros intensa e vibrante, e com a suavidade do ovo de coderniz que dava a cremosidade que o prato necessitava. A salada era o corte necessário a todos os sabores fortes e que predominavam no paladar bem como o puré de maçã que estava também suave e bem temperado. Reparei também que grande parte dos ingredientes deste prato, não são propriamente baratos, e não eram em tão pouca quantidade assim, portanto, existe aqui uma atenção á qualidade e ao conceito do restaurante, que não se desvia apesar de ser um menu mais acessível!
Chackburger com Mesclum de batatas

Prato principal, o ChackBurguer com Mesclum de batatas. Este prato está na carta do restaurante, não sei se será assim como neste menu. Eu, como não posso comer fritos, perguntei se podia alterar a guarnição por arroz OU salada. O resultado, vieram os 2, sem custo extra, mais uma vez a atenção ao cliente era notória. O prato apresentava-se bastante simples como podem ver, mas a confecção correcta e os ingredientes de qualidade falaram mais alto e tinha-mos á nossa frente um prato divinal, de sabores fortes! O ChackBurguer era composto por um pão leve, designado de Foccacia que apesar de não o parecer de todo, era muito bom e leve, sem ser enfadonho de comer o que convém dado o tamanho do bicho. Dentro do pão, vinha então 2 hamburgueres de Carne Barrosã, Queijo da Serra, Bacon,salada e cebola agridoce! Excelente, é a palavra que o define. O sabor da carne era sem dúvida Barrosã, bem temperada e confeccionada, médio mal, suculenta! O Queijo da Serra era de facto o que se esperava e não uma imitação, a salada, bacon e cebola agridoce faziam assim um todo em que a simplicidade de um hamburguer é feita de ingredientes e confecções irrepreensíveis e de qualidade. O Mesclum de Batatas eram cubos de batata doce e normal, supostamente fritas, mas depois de provar mais pareciam assadas, devido ao sabor e falta de qualquer gordura de fritura. Um prato excelente em que mais uma vez a quantidade e a qualidade não foram poupadas, mesmo por 20 €.
Crumble de Maçã e Mirtilo, Sour Cream de Cardamomo

A sobremesa foi então o "tira-teimas" pois havia um Crumble de Maçã e Mirtilos, Sour Cream de cardamomo e Coulis de Chocolate, e depois do susto que foi o "Crumble" do Faz Figura que era sim cimento, queriamos ver como era a interpretação do Chakall. Por isso optámos os 2 por esta enquanto a minha outra convidada ficou-se pelo Cheesecake com Lemon Curd e granizado de framboesas. E assim se fazia o final de uma excelente refeição e experiência, com excelentes sobremesas. O Crumble de Maçã e Mirtilos estava delicioso, morno e cheio de sabor culpa das maçãs e dos mirtilos de qualidade, o topo estava como se queria, esfarelado e crocante, sem se notar o sabor demasiado rico da manteiga. O Sour Cream de Cardamomo servia para cortar o doce da sobremesa dando um toque exótico de Cardamomo que liga extremamente bem com Maçã.
Cheesecake, Lemon curd e Granizado de Framboesas

O Cheesecake com Lemon Curd e granizado de Framboesas estava igualmente bom, denso, com sabor a queijo o que é raro em muitos sitos, em que não dão natas batidas com um bocadinho de Philadelphia se tivermos sorte. Com uma densidade que se demorava na boca, a base de bolacha estava deliciosa mas era o Lemon Curd e granizado de framboesa que se destacavam, servindo ambos para cortar a riqueza do creme e complementar todos os sabores, com destaque para os segmentos de framboesa congelado que faziam de granizado, uma abordagem engraçada que só conheço feita com nitrogénio líquido.

Foi assim um jantar excelente, pratos perfeitos sem razão de queixa da nossa parte, bem executados, mas tenho de destacar o facto de tanto a qualidade como a quantidade dos pratos, num menu de 20€ serem de louvar, pois os ingredientes não eram com certeza baratos e a quantidade também não era pouca. Sendo assim o que ganharam foi com certeza 3 novos clientes que ficaram encantados, recomendam e vão com TODA a certeza voltar! Aconselha-mos vivamente, apesar de caro, vale a pena poupar um pouco e ir numa ocasião especial, pois se a qualidade deste lugar se mantiver, não se irão arrepender, e eu próprio faço intenções de averiguar se assim se mantém :D







domingo, 21 de abril de 2013

Restaurante- Fenícios Rua Castilho

Monstro das Bolachas


Em jeito de celebração do aniversário da Manguinhas , fomos ao novo Fenícios,, na rua Castilho. Apesar da Carta e da simpatia dos empregados  serem  iguais ao do 1º restaurante na Rua do Conde Redondo, o espaço é totalmente diferente.



Situado num 7º andar, tem uma vista soberba da Colina do Castelo, Terreiro do Paço e do Rio Tejo. Dispõe de uma varanda onde podem jantar ao mesmo tempo que aproveitam o pôr do Sol e da magnífica vista da cidade, sem dúvida que se juntou o melhor de 2 Mundos, a gastronomia e a paisagem estupenda. Visto que a sala em si é bastante vulgar, a vista teria de compensar. O Fenícios Castilho só funciona ao jantar, ao almoço é o restaurante Varanda da União, servindo comida Portuguesa, algo que me faz confusão, existirem 2 conceitos tão díspares no mesmo espaço, mas desde que a comida seja boa é o que me interessa!

Fomos recebidos pelo empregado de sala e pelo gerente, um dos filhos da família El Dib, donos do Fenícios. A simpatia é imediata e sentimo-nos entre amigos. Tanto que me fiquei á conversa com o gerente, acerca das especiarias utilizadas na gastronomia libanesa, as mesmas que me deu a provar e que não se encontram em mais lado nenhum, sendo elas o Sumagre e o Za’atar, ambas importadas especificamente para eles.
Demos inícios á nossa viagem gastronómica com a Mezze Fenícia a 22,50€,  pequenas especialidades para partilhar, neste caso 8 pequenos pratinhos. O que vinha nos mesmos podem ver aqui, pois os nomes e as descrições são bastante extensas. O preço é justo e até acessível, visto que 2 pessoas podem ficar satisfeitas só com isto (obviamente que não é o nosso caso), e a possibilidade de experimentar tantas coisas de uma só vez, faz com que valha a pena.  Acompanhado do pão tradicional libanês desapareceram num instante.
Mezze Fenícia 22,50€.
Apesar de TUDO estar delicioso, o destaque vai sem dúvida para os Falafel (pequenos pastéis de grão, coentros, sésamo e especiarias), Warak Énab (folhas de videira recheadas com arroz, tomate, salsa e limão em azeite) e para o Hoummos (pasta de grão, sésamo, limão e azeite). Absolutamente perfeitos, sabores harmoniosos e bem vincados, executados certamente com mestria e amor pela arte da cozinha libanesa. Terminada a Mezze, o gerente perguntou: “Então, satisfeitos?” Ao que respondemos: “Claro,vamos agora ao prato principal! Sabe que os magros enganam?!”Escolhemos o Kibbe Labaniyeh a 9,90€, para partilhar, algo que se costuma fazer quando pedem as Mezze, pois já vão meio jantados para o prato principal!  
Kibbe Labaniyeh 9,90€.
O prato era composto por 3 Kibbe, arroz Árabe com amêndoas e passas e molho de Iogurte com hortelã. O Kibbe é um pastel de carne moída, com várias especiarias e legumes estufados, que é depois moldado como vêm na foto, neste caso foram fritos na base e cozidos a vapor no topo. O contraste da textura crocante da base e pastosa do resto do pastel era uma agradável surpresa, bastante aromáticos, estavam extremamente bons e suculentos! Com um equilíbrio de sabores estupendo, fazia-nos voltar para tirar mais e mais, só era pena serem 3 :D! O arroz estava bom, soltinho e bem aromatizado, fazia uma boa conjugação com os Kibbe e com o molho, molho esse que dava uma nota ácida ao prato, fazendo mais uma vez um equilíbrio harmonioso no seu todo.
 
Baklawa a 3,50€.
De sobremesa, 2 Mouhallabie, Pudim de Flôr de Laranjeira e água de Rosas, a 2,95€. Delicioso e viciante, tal como nos lembrava-mos, esta é a sobremesa que TÊM de pedir! Sedosa, doce q.b e com um aroma fora do nosso palato Ocidental, é garantido que não encontram nada assim em mais sitio nenhum. Pedi também para experimentar a Baklawa (3,50€), que neste caso é uma mistura de 3 pequenos pastéis com frutos secos em massa filó. Não estavam nada digno de nota especial, apesar de doces, o seu sabor não vai ao encontro das surpresas dos restantes sabores.
No final, 49,80€, por uma entrada com 8 coisas diferentes, 1 cesto de pão,1 água de 1L, 1 Arak (bebida  alcoólica libanesa), 1 prato principal e 3 sobremesas, nada mau ham?!
Um restaurante que compensa a falta de beleza estética do espaço com uma saber milenar e mestria culinária Libanesa, uma vista sobre a bela cidade de Lisboa e claro, uma simpatia irradiante e contagiante. Acessível e barato tendo em conta o que se come, é um lugar que não podem deixar de visitar, nós certamente que o continuaremos a fazer!

Site: http://www.fenicios-castilho.com.pt/index2.html