terça-feira, 11 de março de 2014

Restaurante- "Cinnamon Soho", Londres

Monstro das Bolachas

Continuando na linha da cozinha étnica, decidi visitar este restaurante, o mais em conta dos 3 da cadeia Cinnamon que existem em Londres, sendo que o mais caro tem pratos a 30 libras, são restaurantes bastante conceituados e pelo que pude comprovar, bastante bons a julgar por este.
O espaço é pequeno, com pouco iluminação e escondido numa rua vazia na zona de Soho, a decoração minimalista. Algo que não ajuda muito no que respeita ao ambiente. O serviço tenta ser amigável e acolhedor mas esbarra numa capacidade quase cómica, de os empregados se enganarem como quando nos disseram que a comida não era picante, e as entradas eram quase todas bem picantes, ou não saberem o que são os pratos que apresentam ou as bebidas que têm, a coisa começou então desta forma, que me fez começar a pensar se isto seria boa ideia...
Aperitivo Papdi Chaat

Indo a um Domingo, o menu era fixo bem como o preço. Deu-se então o inicio com o aperitivo, Papdi Chaat, Bolo de Batata braseado com lentilhas estufadas e Bolo de Grão a vapor acompanhados por chtuneys caseiros. Estava tudo muito bom, sendo a surpresa o bolo de grão a vapor, leve e aromático com um travo a côco pelo meio e um chutney agridoce no topo, revelava-se perfeito em textura, pena não haver mais. O Bolo de Batata braseado e lentilhas estufadas surpreendia pelo contraste de texturas, com o exterior crocante mas o seu interior quase pastoso, revelando um aparelho de batata que não era pesado mas denso e bem condimentado, ligando bem com as lentilhas e com o molho de iogurte no topo do mesmo. Excelente execução e sabor em tudo.
Entrada, Kebabs Misto

Passámos ás entradas um prato de Kebabs Misto que era composto por Salmão Tandoori com molho de rábano e salsa, Tikka de Frango como molho de coentros, Camarão salteado com Sweet Chilli e Shikampur vegetariano (este último uma mistura de vegetais em forma de falafel) com iogurte e pickles. Continuo assim a boa execução e sabor do prato anteiror, destacando-se o Shikampur o pequeno bolo estava carregado de sabor e especiarias que no entanto se revelava equilibrado e bastante saboroso, com alguns bocados do seu recheio perceptíveis, tinham uma boa consistência. O restante estava também saboroso mas nada que já não se conheça, apenas o Salmão Tandoori se revelava um pouco demasiado passado do ponto e com falta de sal, o oposto dos Camarões Salteados que estavam perfeitos, suculentos e frescos com o molho perfeito para os acompanhar.
Dourada Assada em especiarias e côco

De Principal, das 3 escolhas optou o meu colega pela Dourada Assada inteira com côco e especiarias e molho de coentros, e eu pela Perna de Borrego braseada lentamente como molho de açafrão e arroz de cominhos, lentilhas negras estufadas e Naan como guarnição para ambos os pratos. Escolhas acertadas, pelo que o meu colega me revelou, o seu peixe estava muito bem confeccionado e saboroso, com uma esmagada de batata e especiarias a acompanhar o prato, o seu molho de coentros era viciante e cheio de sabor, algo que o Naan fazia transportar lindamente!
Perna de Borrego braseada, molho de Açafrão

Naan, Lentilhas negras estufadas, molho de Coentros

 A minha escolha para mim foi melhor, a Perna de Borrego braseada vinha sem osso e a carne suculenta  a desfazer, com uma dose de especiarias q.b que permitiam saborear a carne, tendo assim o equilibrio perfeito. O molho de açafrão, apesar de não saber a tal estava muito bom, espesso e também ele viciante e ligando bem com o Arroz de Cominhos e Espinafres salteados também eles saborosos e bem feitos sem estarem a saber a alho queimado ou demasiado cozinhados. As Lentilhas negras estufadas eram deliciosas e repletas de sabor e com uma boa textura tal como o Naan, encontravam-se assim ao patamar de tudo o resto, muito sabor, bem cozinhados e em boa quantidade. Excepto o pão, porque esse nunca é demais, pedimos um Peshawari Naan, que só chegou quando já nos tinham levantado os pratos e que se revelou pequeno e caro, 4 libras por um tamanho que era metade dos que temos em Portugal geralmente.
O melhor(não Peshawari )Naan que já comi!

MAS valeu a pena, pois o que veio não era o típico e correcto Côco e Passas que é normal, mas sim um Naan recheado com Nozes, Pistachios, Amêndoas, Côco e algo doce que não percebi se era calda de açúcar... Resultado, o MELHOR Naan que já comi! Os frutos secos estavam quentes e crocantes, adocicados e fazendo contraste com o pão fofo, cada dentada era saboreada vagarosamente, uma surpresa que fez valer toda a refeição e pela qual voltaria lá para um take-away!
Selecção de Sobremesas

As sobremesas foi infelizmente o realizar do que se diz sempre, que é melhor evitar nos indianos (excepto no Zaafran). Outra engraçada em relação ao serviço, pedi se a minha tarte podia ser substituída por algo diferente, fosse o que fosse pois não podia comer chocolate. O que é que fizeram? Puseram uma tarte noutro prato e fim, azar de quem não come chocolate que não leva mais nada, por causa das manias das alergias... Selecção de Sobremesas: Tarte e Chocolate e Cominhos, Bolo de Cenoura Negra, Pêra escalfada em açafrão com arroz doce, Bolo Pegajoso de Gengibre e Toffee e gelado de Canela e Cardamomo. Aqui parecia que tínhamos ido a outro restaurante pois nada estavam decente nem ao nível do anteriormente servido. Por partes, a Tarte de Chocolate e Cominhos não tinha cominhos tendo sim uma base de biscoito ridiculamente fina. Bolo de Cenoura Negra não sabia a nada e até tive medo de pensar como é que a cenoura teria ficado daquela cor, pois a textura do bolo era esfarelada e insípida, muito medo...Pêra escalfada em Açafrão com arroz doce estava banal, a pêra era o que se esperava mas o arroz estava demasiado cozinhado sendo apenas arroz cozido em leite e açúcar. Bolo Pegajosos de Gengibre e molho Toffee  nada tinha de gengibre e o Toffee sabor insípido, apenas doce e nada de caramelizado como deveria de ser, daí o nome. O Gelado de Canela e Cardamomo foi o único que se salvou estando saboroso e perfumado.

No final de tudo revelou-se uma refeição que poderia ter sido muito boa, se não fosse as sobremesas péssimas e o serviço mais que atabalhoado, sendo que o intervalo de tempo entre o Peshawari Naan ter sido pedido e ter sido entregue foi de 15 minutos já depois de terem levantado os pratos, nem pedindo desculpa ou justificando, e as sobremesas depois terem demorado outros 20, fica assim nota negativa pois o espaço tinha apenas mais 4 mesas e 3 empregados dariam bem conta do serviço.
Com um menu fixo posso apenas avaliar o mesmo, como é óbvio, o preço de 24 libras sem bebidas e taxa de serviço (gorjeta) é justo, para a quantidade e qualidade. Apenas o Peshawari se revelou caro mas mesmo assim merecedor, com uma conta a rondar as 33 libras por pessoa isto é o mais barato que se consegue na familia dos restaurante Cinnamon. Mas pelo que comemos neste, os outros 2 acima devem de ser algo digno de visitar no futuro...

A visitar, mas mantenham.se longe das sobremesas e peçam um Peshawari para fazer a vez delas ;).

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Restaurante- Shoryu Ramen, Londres, Soho

Monstro das Bolachas
Shoryu Ramen, Soho

Seguindo o post anterior, mantive-me pelo tema de comida japonesa que sempre vi nas Animes, desta feita fui descobrir o que torna o Ramen único, delicioso e mais impressionante, a cultura em seu redor. Sendo assim, escolhi entre vários restaurante e selecionei o Shoryu Ramen em Soho, pois existe outro em Regent Street. O que torna único o Ramen é o seu caldo e a massa, noodles. Cada caldo tem bases diferentes, textura, cor, profundidade e sabor consoante a proteína que se usa, a mais comum e apreciada é o porco, que dá pelo nome de Tonkotsu, um caldo á base dos ossos do mesmo, usado para uma panóplia impressionante de pratos, que neste restaurante é o que se serve. O Chef, é famoso pelo seu Hakata Tonkotsu, o caldo da sua cidade natal. Como aqui existe uma variedade enorme de experiências gastronómicas para experimentar, juntei a minha curiosidade á causa das dores de cabeça da Manguinhas, o comer fora, e lá fui eu com um colega de trabalho.

O espaço é agradável e acolhedor, uma decoração em castanho com grandes telas pintadas e bambus tornam-no num refúgio do ritmo vertiginoso desta cidade. A cozinha aberta deixa antever e observar os pratos e o seu processo, e mais importante que isso, sem o cheiro ou o barulho que se pode gerar num espaço assim. O único problema que tive foi quando olhei para as mesas, não havia mesas para 2 pessoas! O mínimo seria para 4, todas as outras eram corridas, com números em cada lugar, ou seja, privacidade seria mentira, este é o estilo cantina, servir rápido e dar lugar a outro o que não tem nada de mal, só não é o meu conceito.
Cozinha aberta para a Sala

O menu é vasto em todas as secções e com ofertas bastante aliciantes não se limitando aos Ramen, tendo também arroz e sushi! Sendo a base de todos os  Ramen o Tonkotsu, a variedade está no que vem servido com ele, desde o tipo de massa, a proteína ou os vegetais, a escolha foge ao normal e introduz muitos ingredientes e especiarias orientais como o citrino Yuzu ou o Nitamago, ovo cozido em soja com a gema ainda líquida, ou ainda o Kikurage uma espécie de cogumelo.

Pork Belly Hirata Bun 4 Libras
Após uma difícil escolha acerca do que pedir, optámos por 2 Hirata Buns, 1 de Pork Belly e outro de Halloumi& Shimeji 4 libras cada. Aqui o serviço começou a cair na desgraça, pois as supostas entradas chegaram com os pratos principais, e só veio 1, tive de relembrar os empregados 2 vezes que faltava o outro. No que toca á nossa escolha foi excelente, os Hirata vinham bem recheados e mesmo MUITO saborosos. O de Pork Belly (Barriga de Porco) era uma fatia bem grossa, tenra a desfazer e coberto com um molho agridoce bem balançado, servido com vegetais para balançar tudo, o pequeno pão a vapor era o acompanhamento perfeito para absorver todos os sabores e tem uma textura fantástica, resistente e meio elástico com um sabor característico.
Halloumi&Shimeji Hirata Bun 4 libras

 Mas o meu estava melhor, o Halloumi&Shimeji trazia o queijo crocante numa massa de tempura, os cogumelos salteados, alface, Sweet chilli sauce e uma espécie de maionaise que não consegui definir o que era, mas estava excelente. O contraste das texturas e a ligação dos molhos faziam desta uma entrada a não passar, sendo o pão mais uma vez o "veículo" perfeito para tal combinação de texturas e sabores!
Origin Tonkotsu 9 Libras.

Para principal, Origin Tonkotsu, o Tonkotsu original a 9 libras, e um Fire & Ice Salmon Tsukemen para mim, 12.50 libras. O 1º era o mais simples de toda a carta, constituído por rodelas de porco braseado, Spring onion/cebolinha, Nitamago, pickle de gengibre/Gari, cogumelos Kikurage e alga Nori, com os indespesáveis Noodles e Caldo Tonkotsu. O caldo tinha um sabor suave e os outros ingredientes estavam todos bem apaladados e distintos de sabor entre si com destaque para o Nitamago, ovo cozido em Soja que se revelou uma estrela por si só. O facto de se comer tudo junto com o caldo dá um novo patamar á degustação e texturas que nunca tinha encontrado antes, simples e saboroso, com destaque também para os Noodles, al dente e muito bons, e para os cogumelos Kikurage com uma textura e aspecto que faz lembrar orelha de porco, com uma resistência algo elástica, mas saborosos.
Fire&Ice Tsukemen. 12,50 libras.

O meu Fire & Ice era um dos pratos que nos faz olhar para ele, pois é servido em 2 separadamente, empratado com cuidado e em altura, com uma panóplia de cores que se destaca dos demais que vi no restaurante. Numa tigela grande cheia de gelo, vem uma esteira de bambu com o "prato" e numa tigela á parte o Wasabi-Tonkotsu quente. Era assim constituido por Salmão fumado,Nitamago, pickle de gengibre/Gari, Noodles, Kikurage, alga Nori, rebentos de bambu e rodelas porco braseado. A ideia do prato seria o contraste entre o caldo quente e com um travo a picante e os restantes ingredientes frios, e a ideia estava bem conseguida pois os 2 complementavam-se perfeitamente. O caldo Wasabi-Tonkotsu, tinha uma sabor mais forte do que o outro e bem mais picante, contudo ao comer os outros elementos frios esse efeito era atenuado e a combinação alcançada, no final, pode-se comer como se quiser, separado ou juntar o que se pretender ao caldo. O destaque, apesar de tudo estar delicioso, recai no Salmão fumado, uma tranche do lombo fumada com um sabor bastante característico que nunca encontrei, o sabor mais semelhante seria o Bonito ou um Atum fumado. Uma excelente escolha entre muitas outras que irei de certo experimentar.
O prato completo.

Desta vez não se comeu sobremesa, pois fomos comprar Pastéis Doces de Feijão vermelho a Chinatown, mas a oferta era bastante tentadora com Cheesecakes de Chá verde, Yuzu e muitas outras, mais um motivo para voltar :D.


O preço ronda as 25 libras por pessoa com 3 pratos, devido á taxa de serviço, que significa que não pagam apenas o preço do que comeram, mas também essa taxa que serve de "gorjeta", um aspecto a não esquecer! Os aspectos negativos são a falta de espaço e privacidade nos lugares, pois são todos lado a lado e o facto de o barulho se tornar demasiado se estiver muito cheio. O serviço embora simpático é atabalhoado e cheio de falhas, numa ocasião 4 empregados de mesa em intervalos de 5 segundos(eu contei) vieram pedir para levantar a tigela do meu colega que ainda não tinha terminado, o que criou um ambiente um pouco constrangedor para nós e irritante!

Fora isso, recomenda-se vivamente, mas por favor nada de sorver ruidosamente a massa especialmente com os lugares tão próximos, o mais certo é a vossa massa ir parar na tigela de alguém desconhecido, aí será outro tipo de convívio, bem mais físico e com uma vista guiada a um posto de urgência ou interrogatórios policiais :P.

Site:http://www.shoryuramen.com/
Facebook:https://www.facebook.com/ShoryuRamen

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Fast-Food Japonesa- Onigiri

Monstro das Bolachas
Onigiri de Salmão

Poucas serão as pessoas que não ouviram pelo menos uma vez nomes como Naruto, Bleach ou Dragon Ball, contudo não devem de ser muitas que têm a oportunidade de encontrar, experimentar e ser completamente apanhados de surpresa por alimentos que se vê em séries de Anime. Num passeio pela zona do Soho em Londres, entrei numa loja japonesa onde se vendia inúmeras coisas tradicionais, desde bolos a pratos completos, eu fiquei pelo Onigiri, um triângulo de arroz envolto em alga nori, com vários recheios á escolha. Eu neste caso arrisquei pelo de Salmão. E qual não foi o espanto quando vi que no pacote até trazia o método a utilizar para tirar o dito cujo de dentro do seu pacote, um conselho, SIGAM-NO, pois eu não o fiz e a coisa ia se esbandalhando toda o que seria de facto terrível pois era muito saboroso!
O recheio do Onigiri de Salmão

Fiquei extremamente espantado ao trincar o Onigiri pois estava á espera de encontrar uma Nori mole como se encontra em muitos casos, um arroz meio seco e sem tempero e um recheio de Salmão algo duvidoso. Nada disso, o resultado foi de alegria extrema ao trincar uma alga crocante como não comia á muito,  cheia de sabor! Um arroz, solto, bem temperado e fresco e um Salmão lascado, suculento e também bastante fresco. É disto que se fazem passeios e novas descobertas, conhecer e sermos levados de surpresa, por recantos, zonas ou comidas que nos surpreendem e nos fazer sorrir, ao pensar que uma simples iniciativa de explorar uma pequena rua, se pode por vezes demonstrar uma descoberta e um momento bem passado...

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Restaurante- Blend

Monstro das Bolachas
Forno de lenha do Blend, que podem ver da sala.

O regresso a casa de quem está fora do País é SEMPRE motivo de alegria, e a minha foi a redobrar quando soube que o meu antigo Chef, António Amorim estava a comandar este novo restaurante na Rua do Norte, no Bairro Alto, juntamente com o Chakall. Sendo assim, claro que tinha lá ir,para além de ser um bom amigo, é um excelente cozinheiro e a pessoa com quem mais gostei de trabalhar até á data. Fica aqui a nossa experiência nesta nova aventura.

Sala
O espaço é amplo, em tons quentes da madeira de tom escuro, luzes a pender num perfil baixo, perto das mesas dão ao restaurante uma aura intimista. De estilo simples, mas refinado, as paredes são de betão liso, adornadas com grandes telas com pinturas abstractas. A loiça usada é igualmente moderna e atraente, tanto nos empratamentos como nas restantes coisas.  Mas a peça central do restaurante é a cozinha, com uma janela enorme, pode-se ver para o seu interior e para o maciço forno a lenha lá dentro. Tudo é visivel desde os cozinheiros a trabalhar, á lenha a ser inserida no forno para manter a temperatura, se gostam deste tipo de cozinhas e "espectáculo" como eu, isto é o lugar ideal para vocês. Chegados ao restaurante lá fomos falar com o Chef António e o meu colega antes de dar inicio á refeição. As empregadas de mesa apesar de terem boa vontade, não têm experiência na área, ou neste tipo de restauração, parecendo um pouco perdidas por vezes, com algumas conversas com a cozinha demasiado altas para os clientes que as ouviam claramente, algo a ter em atenção no futuro.
Carta, num formato desdobrável, tipo leque. Boa diferença.

A carta têm inspirações de vários sitios, pratos como o Falafel ou o Fuul Medani com pão Pita remeten-nos para o Médio Oriente, já os Ceviche para a América do Sul. Os pratos têm um conceito de partilha pelo que isto se traduz num preço mais elevado, mas visto que eu fui numa altura em que ainda nem tinham aberto oficialmente ao público, esta crítica é meramente construtiva e para dar a conheçer o restaurante, pois acredito que alguma coisas mudem com o passar dos primeiros tempos.
Fuul Medani.

Optámos pelo Fuul Medani (7€) um prato de Feijão encarnado guisado com cebola e manteiga de amendoim, servido com 4 pães Pita e um Picco de Gallo á portuguesa, tomate em cubos, coentro e cebola que servia para dar frescura ao prato e uma maior leveza. O guisado de feijão e manteiga de amendoim estava saboroso e interessante, sabores que nunca tinha experimentado juntos, sendo servido num tacho e indo ao forno, o topo fica crocante, ajudando na textura. O pão Pita, é feito no restaurante, bem como a Focaccia e o Pão de Hambúrguer, e servia neste caso de veículo aos restantes elementos do prato.Neste prato, acho que podia ter mais amendoim no guisado e o o pão ficaria melhor se estivesse mais mal cozido, para não se tornar demasiado duro e seco, mas depende do gosto de cada um claro.
Falafel com Molho de Iogurte e Tahini

Pedimos também o Falafel com molho de Iogurte e Tahini (7€). Neste caso acho o preço demasiado elevado, apenas 4 pequenas bolas, não justifica o conceito de partilha no nosso entender, muito menos a este preço. Contudo, o Falafel agradou mas não deslumbrou, visto que nós conheçemos bem a cozinha Libanesa e do Médio Oriente, estávamos á espera de algo diferente, mais intenso de sabor e crocante, algo que não aconteceu, o sabor era agradável mas simples grão sumaria a descrição, e a fritura não estava concluida, pelo que não estavam bem crocantes. O molho esse estava bastante bom e leve, o acompanhamento perfeito para algo que podia ser melhor, mas ainda é cedo para avaliar correctamente qualquer prato.
Hambuguer Blend Wood,  Excelente!

Para principal, a concelho do Chef, Hambúrguer Blend Wood, queijo Scamorza,Bacon, cebola crocante, molho de alho assado, pão de hambúrguer caseiro e mixed chips a 19€. De longe o melhor da noite. Uma execução excelente de um hambúrguer que já tinha feito mais o Chef no Rota das Sedas onde trabalhei com ele, e que pelos visto ele continua a aprimorar com grande mestria. A carne de excelente qualidade e bem temperada vinha dentro de um pão ainda melhor, feito no restaurante, tostado e com sementes de sésamo no topo, tinha ainda espaço para o bacon a cebola crocante em Panko, queijo scamorza e molho de alho assado, tudo servido com chips de batata violeta e normal. Uma aposta ganha especialmente no molho de alho assado que para além de ser delicioso combinava na perfeição com os restante elementos. Todos os sabores estavam em harmonia num prato que me fez querer repetir, voltando ao mesmo de achar demasiado caro para a quantidade que se diz para 2 pessoas, apesar de não ficarem com fome, não ficam plenamente satisfeitos, acho que ou se põe mais quantidade ou baixa-se os preços e dá apenas para uma pessoa...Não obstante, um prato que me faz voltar!
Churros, a versão normal traz 5. Muito bom como o resto!

De sobremesas, Tiramisú de Frutos Vermelhos(6€) e Empada de Doce de Leite e Queijo(7€) e ainda podemos experimentar os Churros com molho de Avelã e Chocolate, cortesia do Chef. Começando por este último, estavam muito bons, a fritura estava perfeita, deixando os churros crocantes e o seu interior pastoso e viciante, e eu que não como fritos, é dizer muito! O molho de Avelã e Chocolate estava bastante rico em sabor e com uma textura sedosa que se colava aos churros. Uma aposta ganha e de excelente sabor pela qual vale a pena pagar, repetidas vezes e segundo a Manguinhas o melhor a fazer é fechar o frasco onde vem o molho e levá-lo para casa!
Tiramisú de Frutos Vermelhos!

O Tiramisú de Frutos Vermelhos estava como eu já esperava, delicioso, tanto na textura, como no sabor, a apresentação enchia os olhos bem como o estômago, pois vinha bem servido! No meio estavam frutos vermelhos que cortavam a riqueza do creme, que mesmo assim era leve e sedoso, o biscoito embebido em café dava o toque final a uma sobremesa que marcava pelo equilíbrio encontrado, para comer sem culpa, pois não é demasiado doce e aqui não é mais nata do que queijo como noutros sitios, é sim mais queijo e menos nata e açúcar, estilo do Chef Amorim como bem sei.

Empada de Queijo e Doce de Leite(caseiro). Deliciosa!
A minha Empada de Queijo e Doce de Leite (que é caseiro pois eu estava lá quando ele foi feito :) ) estava como eu esperava, divinal, a massa da empada esfarelava-se lindamente, o recheio tinha um sabor complexo com o doce e o queijo que mais tarde vim a descobrir qual era, a trazer uma agradável surpresa pois nunca tinha comido nada assim noutro sitio. Mais uma vez, não se demonstrou com o sabor a doce, mas sim de um total entendimento de sabores e texturas, fazendo desta sobremesa um excelente final de refeição. Para cortar a riqueza da empada, vem servido também uma brunesa de Abacaxi e Maçã que, ao limpar-nos o palato, fazia ao mesmo tempo que a próxima colherada tivesse a mesma surpresa e plenitude de sabor que a 1ª, uma ideia excelente e que faz todo o sentido.
Alguns dos pratos do Blend.

Chegados assim ao final, a conta ficou por uns 53.50€ para 2 pessoas com 2 entradas, 1 prato principal, 2 sobremesas e 2 águas, um valor algo elevado tendo em conta algumas das quantidades, mas mesmo assim, o espaço e a qualidade falam por si... Um espaço a seguir atentamente, pois o Chef António Amorim ainda tem muitas criações para dar a conheçer, um restaurante com potencial, bonito e bem localizado, com uma boa carta repleta de ideias e boa execução. Sem dúvida um Blend bem conseguido com espaço para crescer e se desenvolver.

Facebook:https://www.facebook.com/blendbairroalto?fref=ts
Site:http://www.blend-bairroalto.com/

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Restaurante- Brawn e o almoço do pessoal do Murano.

Monstro das Bolachas

E porque a vida no restaurante não pode ser sempre trabalhar 16 horas de estalo, tivemos então um agradável Domingo, onde a equipa do Murano foi almoçar, onde não faltou muita palhaçada, conversas de trabalho, pessoas novas que acompanharam o pessoal do trabalho e claro, comida que como é óbvio me fez levar a máquina fotográfica!
Mercado de flores em Columbia Road
Este restaurante (pois existem outros noutros locais) faz esquina na Columbia Road, famosa pelo seu mercado de flores ao Domingo, dia em que foi o nosso almoço, e estava óbviamente, intransitável! Mas mesmo assim consegui descobrir uma loja portuguesa bem no meio dela, cheia de conservas, bolachas e azeites de Portugal, com empregadas portuguesas, só por isso, o almoço até me soube melhor! O espaço do restaurante é amplo, num estilo de "cantina familiar", ambiente leve, descontraido e com uma decoração que se pode dizer, rústica vá! O melhor do espaço é o facto de o Sol entrar directamente para o interior pelas amplas janelas, resultado, tem uma luz natural fantástica e que dá uma alegria e também aconchego, que bem se precisa neste frio.
Interior

O menu varia todos os dias, tem uma carta de inspiração italiana, com destaque nos enchidos e nos vinhos que são mais que muitos! O pessoal de sala é simpático e atencioso, poucas palavras mas como é óbvio estava num contexto de festa e não de comer fora.O menu foi então composto por uma mistura de entradas, dispersas por várias tábuas de madeira e pequenos pratos. Em primeiro veio uma com Rillet de Nduja, uma espécie de patê feito de Nduja um enchido italiano, Scottish Egg de Coderniz e especiarias, ovo cozido mas com a gema ainda liquida, panado e frito com Maionaise de Ervas e Alho a acompanhar, Crackling , que é basicamente a pele do porco em salmoura, cozida ou assada e depois frita muito rapidamente para ficar crocante e por fim Cournichons.
Scottish Eggs, Nduja Rillet, Crackling e Cournichons
Interior do Scottish Egg de coderniz.

 Tudo estava muito bom (com excepção do Crackling que não provei) em especial a Rillet, espessa, bem condimentada e com um sabor viciante e que não fazia lembrar a carne de porco que a compunha! Uma surpresa bastante boa bem como o Scottish Egg que normalmente são feitos de ovo de galinha cozido, envoltos em carne picada e especiarias, panado e frito, estes eram mais pequenos devido ao tipo de ovo, e entre a camada panada e o ovo tinha um molho picante e com pimentos, muito bom mesmo, e ligava extremamente bem com a Maionese de Alho e Ervas!  Os Cournichons faziam um belo trabalho ao cortar todos os sabores antes de se dar uma nova dentada, para que se pudesse apreciar outra vez os sabores intensos que compunham estas entradas.


Mozzarela, Beringela fumada, Pinhão, Azeite e Agrião
 Num pequeno prato veio também Mozzarela com Beringela fumada, Agrião bébé, Pinhões torrados e Azeite, uma combinação vencedora e bastante saborosa, muito devido á Beringela Fumada cujo sabor forte e vincado ligava bem com o queijo mais pastoso e suave, com o Pinhão torrado a dar o crocante ao prato e profundidade de sabor que apenas um fruto seco rico em óleos pode dar, tudo excelente para barrar no pão que era extremamente bom, Sourdough um pão tipicamente britânico que traduzido significa, massa azeda.
Galinha Assada, Couve flôr assada com natas e queijo.

Para prato principal, um preferido britânico, Galinha Assada, Couve flôr assada com natas e queijo, Batata assada e frita posteriormente e Kale, um tipo de couve bastante bom por sinal. Aqui já não me agradou tanto, a galinha estava seca e sem sabor, as batatas igual, e o facto de serem fritas em óleo abundante depois de serem assadas não ajuda a trazer nenhum sabor ás mesmas. A Couve flôr assada com natas e queijo ,estava insípida, sem sabor e tempero, um arraso a um produto que já pouco sabor tem aqui no Reino Unido, tal como muitos outros legumes infelizmente. O que se salvou foi mesmo a Kale um tipo de couve que há aqui, bastante bom e com uma textura rijal que lhe confere um crocante agradável.
Pannacotta de Baunilha, Ginja marinada em Kirsch


Cheesecake de Baunilha
A sobremesa salvou o principal, e a dobrar! Pannacotta de Baunilha com ginjas marinadas em Kirsch, um brandy de fruta e ainda Cheesecake de Baunilha! Estavam deliciosos, a Pannacotta tinha uma textura suave, mas pesada e densa, que se colava á colher, mas que era ao mesmo tempo gelatinosa mas nunca ao ponto de perder a forma que tinha, um equilíbrio perfeito na quantidade de gelatina. A combinação com a Ginja marinada em Kirsch era bem feita pois o amargo do álcool desenjoava a riqueza do prato!

O Cheesecake foi uma surpresa ainda maior, pois estava á espera do normal, muita nata, quase nada de queijo, gelatina, base de bolacha e toma lá mais do mesmo que nem cheesecake é! Mas não aconteceu, ao invés veio um bolo denso, rico e de sabor predominante a queijo e baunilha, com uma base suave e quebradiça, o creme era composto por 2 camadas, uma de baunilha e queijo e uma superior só de queijo, fazendo assim 3 texturas que se complementavam muito bem, com sabores distintos mas aliados entre si. Ambas as sobremesas eram excelentes, bem feitas, e de sabor irrepreensível, isso sim, foi a surpresa de todo o almoço, isso e saber que a empregada do ano o é porque está nos bolsos dos Chefs e Sub-Chefs, mas hey, o que é que há para se espantar nisso?!

Um bom almoço apenas com o prato principal a desiludir, não sei o resto da carta nem os preços mas se tiver a qualidade da maioria das coisas que comi, vale a penar experimentar o resto para esclarecer as dúvida e se forem num Domingo aproveitam para passear antes do almoço e falar um pouco de Português ;)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Restaurante- "Assinatura"

Monstro das Bolachas 

E no último dia disponivel nos Vouchers da time out de 50% de desconto na refeição eis que experimenta-mos um dos restaurantes que mais nos despertava curiosidade, e a experiência em nada saiu desgostosa.

A característica mesa invertida :)

O restaurante é algo escondido numa rua transversal a outra que liga ao Rato. Com uma sala simples, paredes brancas, cadeira castanhas e vermelhas, a decoração é minimalista, tornando o espaço leve mas algo despido, demasiado sóbrio para o meu gosto, mas bom para a minha companhia. Fomos recebidos pela equipa de sala que se mostrou com alguns olhares desconfiados quando viram 1 casal com ar de adolescentes entrar pelas portas de um sitio tão conceituado e com um público alvo bem para além da nossa idade e pensam eles, do nosso conhecer gastronómico, neste último enganam-se :D . O serviço é excelente, profissional e atencioso, embora alguns empregados sejam mais desligado e quase ríspidos nas introduções dos pratos, no geral fazem um trabalho merecedor, e menos não seria de esperar para o tipo de restaurante que é e para os preços que se pratica, sendo este um dos melhores de Lisboa, assim teria de ser. O menu é reduzido, com 4 ou 5 pratos em cada categoria, e pelo preço  de cada um deles recomendamos que peçam um menu de 5 pratos a 53€ euros, a ser feito pelo Chef, apenas têm de dizer o que não comem e esperar pelo que ai venha, algo perigoso a meu ver mas a experiência saiu-se positiva, pois a surpresa em cada prato foi melhor do que saber o que ai vinha. Antes de dizer-mos o que queriamos evitar tinha dito á Manguinhas :" Se calhar é melhor dizer-mos para evitar as Ostras e o Foye Gras não?" Ao que ela diz: " Não, acho que não é preciso, também já viste o que era vir logo isso?"  Assim começou a nova refeição...
A sala, algo diferente hoje em dia.

O Couvert começou logo por fazer as delícias da Manguinhas pão transmontano, azeite transmontano, servido por uma rapariga que se parecia notar transmontana! 2 tipos de manteiga, Noisette e de Camarão e Manteiga de Amendoim. Começou bem, a qualidade do pão e do azeite era excelente, não fossem de Trás os Montes,e as manteigas de igual sabor e qualidade, com destaque para a de Camarão e Manteiga de Amendoim cujo sabor era uma surpresa. Até quando nos servem o Couvert nos explicam o tipo de pão, de onde é, a acidez do Azeite, neste caso 0,2, e de onde vem. Bem como os tipo de manteiga presentes.
3 Amuse Bouche para começar, deliciosas!

Começámos com as 3 Amuse Bouche, Coscorão com Alheira , uma combinação que nunca me tinha passado pela cabeça mas que estava divinal, o sabor adocicado com uma pitada de canela, casava na perfeição com a alheira de sabor forte e vincado e o contraste das texturas entre o suave e o crocante faziam desta pequena delicia uma surpresa a cada dentada. Éclair com queijo de Seia mais uma vez uma combinação eficaz, embora sem deslumbrar a ideia estava bem conseguida e engraçada, a qualidade do queijo falava por si e a massa do éclair mostrava-se fofa e saborosa, sendo o par ideal para servir de veículo ao creme. Por fim Brunesa de Espadarte de Sesimbra com Maçã, de sabor leve e refrescante era uma agradável combinação para cortar a intensidade das outras 2.
1º Entrada do menu de 5 pratos

Terminados, chegou uma das entradas, e como o Universo tem um sentido de humor excelente e por vezes meio irónico, eis que nos chega OSTRAS! "Oh meu Deus, como é que é possivel?!" Pensava eu tendo a certeza que a Manguinhas não ia gostar e eu próprio não sendo grande fã! Mas mesmo assim para mim conseguiu ser salvo pelo resto dos componentes. Ostras de Setúbal ao natural, Iogurte fumado, caldo de Bacalhau fumado, Tapioca e Alga. O prato sabia literalmente a mar! As ostras por si já o sabem mas o caldo aromático e de sabor suave cortavam a salinidade das mesmas, a tapioca com a sua textura meio gelatinosa e al dente no meio davam uma textura intrigante ao prato, bem como as algas por cima. O iogurte dava uma profundidade de sabor a todo o conjunto. Esta entrada remetia-nos para o mar a cada garfada, e revelou-se uma agradável surpresa, apesar da textura que detesto das Ostras e do seu sabor salino, lá marchou tudo, sendo o ponto alto a Tapioca e o caldo que me cativaram, já a minha senhora, ficou a saber que não gosta NADA de Ostras.

"Começa-mos bem, a seguir deve vir Foye Gras para desgraçar o resto do menu já assim no inicio" pensei eu...
2ª Entrada, um prato excelente!

Não se verificou, ao invés, veio algo que ambos adoramos, Vieiras. Vieiras Coradas, Moela, Puré de Cebola, Alho frito, Coentros,Óleo de Trufa e crocante de Pão de Especiarias. Embora a combinação me soa-se estranha, ainda para mais por nunca ter comido moela, a cena toda de misturar carne e peixe nunca me fascinou, mas aqui isso mudou! No geral a harmonia de sabores com tantos ingredientes que parecem díspares é no mínimo intrigante. Tudo se complementava de maneira saborosa e interessante, e apesar de as Moelas e a Vieira, quando comidos em separado não fossem nada de especial, juntos elevam-se para um sabor diferente e bem melhor. O Puré de Cebola estava suave e nada intenso como pensava que estaria, antes aromático e um perfeito acompanhamento para o resto, os coentros davam uma frescura que elevava o prato e atribuia uma agradável "corte" nos sabores mais vincados. Tudo era ainda melhor pelo facto do Óleo de Trufa perfumar todo o prato, e se bem que ás vezes se adicione porque é gourmet, aqui integrava-se bem no todo, bem como o crocante de Pão de Especiarias que era o elemento estaladiço do prato, a par do alho frito, e também ele delicioso, pena ser pouco :D Um prato vencedor e deveras surpreendente!
Prato de Peixe, o melhor da noite.

Depois veio então o prato de peixe, e depois de um prato anterior de excelente qualidade e ainda maior surpresa, este teria de ser igualmente bom e de facto não desapontou. Massa Pevide com tinta de Choco, Queijo de S. Jorge, Alga Nori marinada, Bacalhau meia cura, Ovas de Peixe Voador e Aneto. Assim se fazia mais uma vez magia no prato. E na boca pois a cada garfada de massa com tinta de choco, ficávamos com a boca toda negra! Mais uma vez um prato excelente, a massa al dente, bem apaladada, com o Queijo de S.Jorge num equilibrio perfeito, fazia lembrar um risotto devido ao seu principio. O sabor era igualmente viciante pois a tinta de choco para além de cor adiciona sabor e aqui havia bastante! Na base do prato vinha a Nori marinada, e mesmo no sabor acentuado da massa, esta se distinguia com uma sabor distinto entre o salgado e o fumado da alga em si, deliciosa e algo que nunca tinha comido. O Bacalhau meia cura tinha o sabor esperado, bem confeccionado e saboroso, casava bem com o resto do prato, contudo, quando comido com as Ovas de Peixe Voador e o Aneto, o seu sabor elevava-se a outro nível, e o jogo de texturas alcançado neste prato era igualmente excelente. O prato da noite na nossa opinião.
Prato de carne e uma ovação ao Norte do País.

Seguiu-se o prato de carne, neste caso da Carta, Borrego em crosta de Pistachio e Cuscos Trufados. Cuscos neste caso não está mal escrito, trata-se sim de uma massa feita com farinha, água e mais algumas coisa que se vai mexendo com a mão á medida que se adiciona o líquido, resultado, pequenas formas toscas, umas maiores que outras, que têm uma forma semelhante a pequenas esferas, ou ovais. E isto é típico de Trás-os-Montes, bastante antigo, daí não ser muito conhecido, mas hoje em dia já é comercializado pela marca Origens. 
Este prato continha ainda Cogumelos selvagens, puré de Salsa, Rebentos de Ervilha e brunesa de enchidos e seu suco. Pode-se dizer que este prato era um hino ao extremo Norte do país! E não desapontou, de sabores bem fortes e robustos começando nos Cuscos! Al dente como se querem, o seu sabor era excepcional, o suco libertado pelos enchidos estava infusionado dentro da massa em si, bem como o óleo de trufa que envolvia todo o preparado! Resultado, uma guarnição deliciosa e de honrar o legado transmontano e as suas receitas e sabores! Um vencedor por si só que foi a estrela do prato! O borrego foi o que mais me desiludiu, não por ser mau, longe disso, mas por não ter a crosta de Pistachio que se anunciou e por não estar tão suave como poderia ser estando médio-bem. Os Cogumelos Selvagens esses eram outra surpresa, de sabor característico, só quem os experimenta é que conheçe o verdadeiro sabor deste ingrediente, forte, aromático e com uma resistência natural, tinham um sabor térreo e que completava o conjunto de sabores do prato, mas igualmente excelentes por si! O puré de Salsa e Rebentos de Ervilhas eram ambos bastante saborosos e conferiam uma lufada de ar fresco que se revelava crucial para cortar todos os sabores intensos! Mais uma vez, um excelente prato, que á carta custa 22€, comeu-se no menu de 53€ embora em menos quantidade de certo.
Pré Sobremesa

Felicíssimos da vida, veio a pré-sobremesa, Iogurte Natural do restaurante com compota de Marmelo. De textura suave e espessa estava bom mas não deslumbrava, era sim completado pela Compota de Marmelo que estava no topo, bastante saborosa mas a nosso ver pouca face á quantidade de iogurte. Fez o seu serviço de limpar o palato para a sobremesa.

Um café e Pastel de Nata, era o nome dela, na carta a 7€, foi apresentada neste menu. Uma desconstrução do Pastel em si, e uma brincadeira com o seu companheiro que em tantos cafés se vê e ouve, o café que por tradição o acompanha.
Sobremesa, jogo de sabores e texturas.

 Era assim composta por Pannacotta de Café, sabor forte e vincado, nada doce, consistente e suave. Espuma de Leite com café ou pelo menos era a isso que sabia, suave, leve e com consistência suficiente para não derreter no prato, mas sim na boca, que o fazia deveras bem! Gelado do Creme de Pastel de Nata, delicioso, espesso e viciante! Crumble, a fazer do crocante da massa folhada, este era bem melhor, bastante estaladiço e de sabor suave e com um toque de canela. Tudo polvilhado com Canela e fios de Caramelo no prato. Muito bem pensado, bem executado e mais importante, delicioso, todos os componentes eram bons mas nada que já não tivesse-mos visto ou comido, mas quando se juntava tudo numa colherada, se fechássemos os olhos, o sabor era exactamente o nome da sobremesa, genial, saboroso e divertido, tudo o que devia resumir uma boa refeição!

Uma experiência fantástica, pratos irrepreensíveis, serviço profissional, esclarecedor e atento, o preço pelo menu é mais do que justificado e bem empregue, a meu ver, melhor do que nos pratos pedidos á carta. O espaço seria o único senão mas os gostos não se discutem. Uma excelente refeição para acabar o ano de 2013, e esperar que se façam mais destas em 2014, haja Vouchers da Time Out e dinheiro, ou só dinheiro também me chega! :D

Facebook:https://www.facebook.com/pages/Restaurante-Assinatura/112500565453485?ref=ts&fref=ts
Site:http://www.assinatura.com.pt/index.php/pt/


sábado, 7 de dezembro de 2013

Restaurante- Yalla Yalla, Londres

Monstro das Bolachas

Sim eu sei, 2 meses sem publicar nada e isso sem contar com a outra metade do Blog, se é que alguém se lembra dela, cof cof... Mas finalmente a vida começa-se a compor ao fim de 3 meses a receber menos 200 libras do que era suposto devido a um erro de formulário, posso começar a viver, e nisso, comer fora tem uma GRANDE parte, e a PS4 também :D

Assim sendo, com novas amizades e uma cidade inteira para descobrir, fiz-me ao que é o 1º restaurante que critico em Londres, ironicamente um que é do Médio Oriente e não Inglês. A oferta de restauração é abismal e o dificil é escolher e acabar num sitio de qualidade de acordo com os padrões portugeses claro pois há muito Inglês que não sabe o que é qualidade pois nunca comeu melhor, mas não entremos por ai, agora...

Interior, á direita vê-se a cozinha.

O Yalla Yalla é um restaurante Libanês, dando ênfase á comida rápida de rua, bem confeccionada e apresentada, num espaço quente (bastante importante nesta altura do ano), reconfortante e que nos faz sentir relaxados, com um interior em madeira e tons castanhos claros, é um refúgio acolhedor. Fiquei satisfeito pela quantidade de coisas disponíveis, fazendo-me lembrar o Fenicios, apesar de achar o preço um pouco caro demais mas visto que esta é uma zona turistica, em Oxford Circus, é de esperar. Como o meu colega nunca tinha experimentado decidi pedir um prato com várias entradas ou Mezzes, entradas para partilhar.

Dos 3 pratos disponivies, pedi o Yalla composto por Hommos (puré de Grão e Tahini), Tabboule (Salada de Salsa trigo e especiarias),Warak Enab (Folha de Videira recheada com arroz, salsa, tomate e especiarias), Samboussek cheese (pastel recheado de queijo e sésamo), Falafel (Pastel frito de Grão e Za'atar) e Fatayer de Espinafre (Empada de Espinafre), tudo por 7,75 Libras, por volta dos 8,50€.
Hommos,Falafel,Samboussek,Fatayer,Warak énab,Tabboule.

Acabou por ser uma excelente escolha, tudo estava bem executado, o sabor do Hommos era delicado e bem equilibrado e o Falafel era excelente, algo que se faz mto, mas nem sempre bem devido ao equilibrio necessário. O Samboussek Cheese, foi uma agradável surpresa pois nunca tinha provado, o queijo era cremoso e condimentado, o Fatayer era excelente, fofo, leve e recheado com Pinhões e Espinafre, tudo acompanhado de pão Pita e estávamos felizes, ele ainda mais pois nunca tinha experimentado.

Chicken Shawarma

Kafta Meshoué

Para prato principal Chicken Shawarma 10.95 libras- 12 € , Galinha assada no espeto com especiarias, servida com arroz e massa vermicelli, salada de cebola,tomate e salsa temperado com Sumac, especiaria do Médio Oriente com um sabor meio acre e cítrico, e um Kafta Meshoué 9.75 libras- 10.95€, espetada de Borrego picado com especiarias e vegetais, servido com a mesma guarnição do prato acima referido. Bem servidos sem dúvida, e o sabor em nada se ficava atrás, mais uma vez sabores bem conseguidos, equilibrados e aprimorados, carne de qualidade e bem marinada, as guarnições estavam todas bem executadas, o arroz solto e saboroso, já a salada apesar de boa estava muito atabalhoada, como um amontoado de legumes, demasiado "Rua" na comida de rua que o restaurante aplica, mas tirando isso, muito bom. A cozinha aberta ajuda a ver tudo o que é feito, e o profissionalismo de quem ali trabalha. O pessoal de sala é prestável e faz o seu trabalho sem grandes demoras ou simpatias diga-se, estão para servir, ponto.

Mohalabiya


Yalla Jou Jou
As sobremesas, tive de ir para um preferido do Fenícios, Mohalabiya 4.25 libras-5€, uma espécie de pudim de leite aqui servido com sementes de Romã e calda, o meu colega optou pelo  Yalla Jou Jou, 5 libras-6€, era uma espécie de bolo frio, recheado com mousse semi congelada de baunilha, com um topo de chocolate e servido com gelado de baunilha. O meu pudim estava bastante bom, leve e de textura suave, comia-se bem, demasiado bem até, a romã dava-lhe o crocante e o ácido que contrastava com a leve doçura do leite, contudo o do Fenícios é bem melhor! O do meu colega era bem mais complexo, uma camada de exterior que se assemelhava a um bolo, um interior recheado com uma mousse congelada, um topo quente de chocolate e um bola de gelado eram sem dúvida uma combinação vencedora e ainda mais saborosa, uma escolha acertada que eu irei fazer quando voltar!

No final ficou 52 libras e pouco pelos 2, em cupa da "taxa de serviço", que é em suma uma espécie de gratificação pelo trabalho que o restaurante faz, ou seja uma gorjeta como que forçada diga-se, mas ouvi dizer que se podem recusar a pagar mas não sei se é ou não verdade. O que é verdade é que este é um bom restaurante, boa comida, bom ambiente, boa oferta, um pouco caro sim, mas com tanto oferta por aqui, pagar por algo que não é minimamente bom é uma realidade ainda para mais para mim que ainda não conheço muito da gastronomia daqui. Ficou assim uma boa referência e um excelente almoço. A repetir!